Os inumeráveis templos de Bagan | MYANMAR

O ponto mais alto da minha viagem a Myanmar foi, sem sombra de dúvida, Bagan. No interior do país, a 600 km a norte de Yangon, a região encontra-se preenchida por templos, pagodas, e mosteiros budistas até perder de vista. Com historial centenário, Bagan foi capital do Reino de Pagan (primeiro reino a unificar as regiões que mais tarde iriam constituir o actual Myanmar) entre os séculos IX e XIII. Foi nesta altura que ocorreu a construção massiva dos mais de 2000 (!!!) templos que ainda existem na região.

Actualmente a região é composta por três vilas: Nyaungu, Old Bagan, e New Bagan. Excluindo Old Bagan, as restantes duas estão recheadas de comércio local, restaurantes, e alojamento barato. Existe inclusive um aeroporto em Nyaungu para suportar as vagas de turistas. Com a actual equiparação entre os templos de Bagan e Angkor Wat no Cambodja, o turismo não pára de aumentar.

Paisagem

Fui a Myanmar em finais de Abril, antes da época das monções. Apesar da vegetação de Bagan não ter aquele verde forte de quem já absorveu muita água, não estava seca. Alguns dos templos têm um segundo andar a que é possível subir, sendo perfeitos para uma visão abrangente de toda a região. Para qualquer lado que se olhe lá estão eles. Existem para todos os gostos: grandes, pequenos, brancos, de tijolo, dourados. Espalhados às dezenas, é fácil fugir aos templos mais conhecidos e encontrar um remoto, vazio, em que se pode entrar, descansar e apreciar o seu interior e a natureza que o envolve.

Mesmo com o aumento da popularidade do país e da região, ainda é possível encontrar autenticidade nas pessoas e costumes. Ainda existem campos a serem lavrados mesmo ao lado de mosteiros enormes. Ainda existem famílias a fazerem do pequeno templo parte da sua casa. Ainda existem pastores que levam o seu gado a pastar por entre as pequenas pagodas. São paisagens e visões que provavelmente não tardarão a desaparecer, pelo que fica o conselho de as visitar não num futuro distante.

A diversidade é igualmente semelhante no interior dos templos. Existem alguns com estátuas douradas de Buda, de 3 metros de altura, no seu interior. Outros com pinturas rupestres nas paredes, com aspecto de já ali estarem há algumas centenas de anos. Figuras mais pequenas feitas em pedra. Relevos nas paredes meticulosamente cravados. Há também para todos os gostos. Até para saciar a vista com estátuas gigantes de Buda (cerca de 10 metros, deitado ou na vertical).

 

Nos mosteiros maiores há também os labirintos de corredores interiores, que para além de nos refrescarem o corpo por não estarem expostos ao sol, servem para embrenhar na totalidade a vida que outrora existiu naquelas paragens.

DICA: durante a visita aos templos, se alguém se aproximar a dizer que conhece um local fantástico no templo, com uma vista fenomenal para a região, provavelmente é esquema. Um simples “No thank you” resolve o problema. Os birmaneses não são muito agressivos.

Vilas

Das principais vilas da região, New Bagan e Nyaungu são as maiores e as onde existe maior movimento. Mesmo com o crescente turismo, ainda é possível ir aos mercados de rua onde o peixe e os vegetais são vendidos na hora. Ambas contêm várias opções de alojamento e de restauração. Nós experimentámos as pequenas tascas à beira da rua e podemos dizer que a comida era impecável! As pessoas são muito simpáticas, e tivemos a sorte de encontrar uma feira nocturna em Nyaungu onde conseguimos ver como realmente os birmaneses fora das grandes cidades se divertem. Hint: até concurso de beleza havia!

Transportes

O melhor meio de transporte em Bagan é sem duvida a scooter eléctrica. Qualquer um a consegue conduzir, é só acelerar ou travar, mais fácil que uma bicicleta. São baratas (a nossa foi 6000 K, cerca de 4.5 €, por dia) e estão disponíveis por todo o lado. Com a bateria cheia dá para percorrer os templos durante todo o dia sem preocupações.

Também é possível alugar bicicletas, mas as distâncias entre as cidades ainda são cerca de 5 km e o terreno não é plano. Isto a juntar ao calor e às poucas sombras remetem-na para segundo plano face à moto.

Quando aluguei a scooter não me foi pedido qualquer tipo de documentação. Também não tive de deixar caução. Quanto ao capacete, também não o vi em lado nenhum. A maioria do trânsito de Bagan é composto de motas idênticas pelo que os acidentes são raros. E admito que uma das melhores sensações desta viagem foi andar de moto com o “cabelo” ao vento nas estradas de terra batida no meio dos templos de Bagan!

 

Entrada

Para entrar na zona protegida de Bagan é necessário ter um bilhete que se compra num pequeno posto junto à estrada entre a estação de autocarros e Nyaungu. Cada bilhete custa 25000 Kyat (cerca de 18,5 €). Os taxis costumam parar junto este posto para que os viajantes que chegam de autocarro terem a possibilidade de comprar o dito bilhete. Este é mesmo indispensável para percorrer os templos da região (que engloba Old Bagan, New Bagan, e Nyaungu). Caso sejamos apanhados nos templos sem o bilhete é nos aplicada um multa (mas verdade seja dita, dos dias em que lá estivemos, nunca nos foi pedido para os mostrar e conseguimos andar livremente pela região).


Preços:

  • Entrada em Bagan: 25000 Kyat (cerca de 18,5 €). Válido para vários dias, só é preciso comprar uma vez;
  • Aluguer scooter eléctrica: 6000 K/dia (cerca de 4.5 € por dia).

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