Nyaung Shwe e o Inle Lake | MYANMAR

Se Bagan é o ponto alto de uma viagem a Myanmar, então Inle Lake fica logo em segundo. Este lago de água doce, o segundo maior de Myanmar, fica no centro do país, a 200 km de Bagan e a outros tantos de Mandalay. Possui uma vida característica, desde os pecadores com barcos e técnicas de pesca peculiares, às hortas assentes em substratos flutuantes que fornecem vegetais a todo o país. É sem duvida um lugar a não perder.

Nyaung Shwe

Nyaung Shwe é a principal vila de apoio ao lago, e é de onde partem os pequenos barcos para visitar mesmo. Está apetrechada de hotéis e hostels e está a ganhar a fama de ser a capital da cena backpacker de Myanmar.

Restaurantes não lhe falta e há para todos os gostos. Existem uns locais, como o Lin Htett Myanmar Traditional Food a meio da rua principal da vila, onde se pode provar os pratos tradicionais da região, como uns shan noodles ou uma pennywort salad. Há também bancas de rua a vender iguarias, e uma espécie de cantina onde todo o menu está em birmanês. O truque aqui é olhar para as mesas do lado e pedir “I want some of that”.

É fácil alugar bicicletas e percorrer as ruas de Nyaung Shwe e as estradas em volta do lago. O caminho é relativamente plano e a paisagem ora verdejante ora mais virada para o dito. A cerca de 12 km da vila (para oeste) existe uma povoação, Khaung Daing, onde se pode ver tofu a ser produzido e secado ao sol. Dá para um passeio interessante durante a manhã, com um almoço a meio caminho nas tascas de beira da estrada. Ter só em atenção ao tempo, pois pode mudar radicalmente. Um sol radiante de manhã, e uma chuvada tropical ao inicio da tarde, para os não tão precavidos (tipo nós), transforma qualquer passeio de bicicleta numa espécie de lavagem automática ao ar livre.

Durante a noite a vila ganha outra vida. É super seguro andar na rua, e há algum movimento nas zonas principais. Salas de snooker a céu aberto, bancas de comida para quem quiser matar a fome, algumas festas e concertos de bandas locais. Mas uma das coisas que nos deixou perplexos foi um ringue de patinagem que havia na vila. Muita miudagem a divertir-se à grande ao som de hits ocidentais (nunca pensei ouvir Pitbull em Myanmar), enquanto saltavam e rodopiavam em cima de patins muito mais velhos que eles. Não chegámos a experimentar porque o jeito para a coisa não abundava, e partir um braço a meio da viagem não estava na lista de “Coisas a fazer na Birmânia”.

Ah, e há falhas de luz à noite. Regularmente. Assim sem mais nem menos toda a vila fica às escuras, som com os faróis do ocasional carro a iluminar a passagem. Não dura muito tempo (passado cerca de 5 minutos está tudo de volta ao normal), mas chega para criar aquela sensação engraçada de desorientação absoluta na escuridão!

Os barcos

Fazer o passeio de barco pelo lago é a principal razão pelo qual tantos viajantes são atraídos pela região. Em Nyaung Shwe existe um pequeno rio que corre até ao lago, e é a partir daí que a viagem começa. É facil encontrar quem nos queira levar lago a dentro, com os guias/condutores dos barcos a serem explicitos nas ofertas quando nos aproximamos da zona de embarque junto ao rio. Basta chegar de manhã cedo à zona, simpatizar com um guia, alinhavar custos e percurso de antemão, e seguir lago a dentro.

Consoante o guia que se escolha, cada barco pode oferecer chapéu de sol (ou de chuva), e colete salva vidas, mas de modo geral são todos idênticos: longos e estreitos,  feitos de madeira e resistentes o suficiente para transportarem mais de 5 pessoas, são puxados a motor e manobrados pelo guia.

O lago

O lago é enorme. Não tinha a noção do quão grande era quando o vi no mapa, e só depois de estar num barco no seu centro é que se começa a ganhar perspectiva da dimensão.

O trânsito fluvial não é pouco e o lago está cheio de barcos, tanto a transportarem turistas como locais (sempre simpáticos a acenar!). O que também não faltam são pescadores com as suas técnicas de pesca tradicionais: bater com uma espécie de remo na superfície da água para afugentar os peixes para redes já lançadas. Se resulta? Deve resultar, porque eram muitos a praticá-lo.

As casas

No centro do Inle Lake também existem habitações. Como não há terra firme e seca para se construir, os birmaneses da região decidiram colocar as suas casas sob estacas de bambu à tona de água. São feitas de madeira e contraplacado, com telhado de plástico, e são já só por si tambem um icone da região.

É normal ver gente nas varandas e nos alpendres, na sua rotina diária. Muitos pouco se incomodam com os turistas que passam nos barcos, outros mais simpáticos sorriem e acenam.

Hortas flutuantes

Uma das paragens do percurso de barco é feita nas hortas flutuantes. São plantações de tomates a perder de vista, assentes não em terra mas em entrelaçados de algas e ervas. O barco, que apesar de grande, consegue passar por entre os carreiros plantados, e por momentos parece que se está no meio de um campo agrícola e não dentro de um lago.

Mais uma vez a hospitalidade dos locais não deixa a desejar. Com o guia a servir de interlocutor, cria-se rapidamente uma conversa amena com os clássicos “quem são e de onde vêm” a serem puxados como primeira cartada na nossa direcção.

Five-day-market

Outra das paragens do passeio de barco é num dos mercados do Five-Day-Market. É um mercado que tem a sua localização rodada por 5 lugares durante 5 dias, e acomoda todas as necessidades básicas dos habitantes da região, desde produtos alimentares variados a cortes de cabelo ao ar livre.

Mosteiro dos gatos

O ponto final do percurso é no mosteiro dos gatos. É um templo tranquilo, apenas com algumas pessoas, que ganhou a sua alcunha devido à grande quantidade de gatos que ali vivem. Desde grandes a pequenos, são tratados pelos locais e conseguem subsistir por ali.


Nada do que foi descrito neste post tinha sido possível sem a ajuda do nosso marinheiro e guia Nyang Pe. Super simpático, super prestável, e foi mais uma prova viva da simpatia do povo birmanês. E no final de um dia inteiro de passeio de barco, na altura de pagar só disse: “paguem o que quiserem”. Se o encontrarem, não hesitem!

Nota: para entrar em toda a região do Inle Lake – incluindo Nyangushwe – é preciso pagar bilhete (preço 15 000 Kyat, cerca de 11 €). A bilheteira encontra-se na estrada logo antes da entrada na cidade. Os autocarros provenientes de outras regiões de Myanmar param sempre aqui para que se possa comprar o bilhete.

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